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Publicado novembro 7, 2008 por thiagojorge
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Publicado agosto 5, 2006 por thiagojorge
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O fabuloso destino de maria da glória

Alva. Inexata. Maria balançava os cabelos feitos ondas do mar, feito molas preto-azuladas. Seu corpo não era por ora esbelto, mas a bem distribuída carne fazia de Maria uma mulher desejada. Maria da Glória era o seu nome. Tem este nome pois há algumas décadas, quando do seu nascimento, Maria quase provoca a morte de sua querida mãe, enquanto saía de seu ventre. A mulher deu trabalho já quando nascia. Mas Maria da Glória era uma moça perseverante, graciosa, meiga, com um olhar profunda e jovial.

As ruas de sua cidade nunca estiveram tão vazias. A praça nunca tivera tantas folhas secas ao chão. O tempo nunca estivera tão frio. Maria andava contra o vento, brigando por um espaço no espaço, os cabelos titubeando de raiva por estarem sendo jogados ao nada. O olhar verde-claro não estava bem. A exuberância das dezenas de colares e acessórios que usava tornava-a talvez uma mulher de atitude, cheia de charme e beleza. O céu agora ficou preto. Maria da Glória olhava atenta para as nuvens rosas. Engraçado como as nuvens às vezes desenham-se no infinito, dando a entender formas e objetos inusitados. Maria da Glória parece que viu um crucifixo de nuvem no céu.

Por um momento pensou estar treslouca. Por um momento, Maria quis sair correndo no meio da praça, no meio das folhas, no meio do vento, no centro do espaço. Mas uma lágrima caía do rosto de Maria. O que era aquilo? Seria uma lágrima? Uma lágrima do rosto de Maria? Não. O céu preto que estava louco. Os verdes-claros olhos estavam molhados. Os verdes-claros olhos estava vermelhos. A pele alva estava quase branca. Maria da Glória era sempre inexata. Nunca deixara certeza de nada. Talvez Maria entendia a essência do ser humano.

Mas de que adiantava tudo aquilo, se Maria da Glória havia perdido o tom da vida? O mundo de Maria agora era quente, seco, era nada. Maria agora não pensava, talvez. Maria agora estava longe, muito longe. Aonde as estrelas jamais a encontrarão. Maria da Glória teve um fabuloso destino. Maria da Glória foi reduzida às quatro paredes de um caixão.

Thiago Jorge

Pergunte à borboleta

Escrevo porque preciso. Porque necessito. Porque o sangue corre em minhas veias e elas precisam de energia para isso. Estava eu no jardim de minha casa, observando contento as folhas, as plantas, os frutos e as pequenas árvores, quando me deparo silenciosamente com uma borboleta invadindo o céu azul daquela tarde. Parecia algo incomum quando se pensa demais ou quando se “filosofa” demais. Mas a borboleta estava ali, voando por entre as flores do meu jardim, totalmente despreocupada. Ela não queria saber se havia guerra na Mesopotâmia, se os governantes do lugar onde ela vive estão roubando-lhe capital ou se existem seres humanos tão cruéis neste planeta. Ela apenas estava ali, aspirando as flores, checando se há alguma novidade na flora do meu jardim. Pergunte à borboleta se ela sabe de alguma coisa. Ande, pergunte! Quem tem coragem o suficiente para chegar em uma linda borboleta, perguntar-lhe como vai e em seguida indagá-la: Querida Borboleta, sabes o futuro deste mundo? Ela responderá magicamente que os seres humanos não têm capacidade nem decência nenhuma para fazer tal pergunta. O ser humano construiu, e o ser humano destruirá.

A borboleta apenas queria respirar o ar perfumado de minhas flores! Somente! Que mais esta linda beldade da natureza queria? Coitada. A borboleta, inofensiva, carinhosa, gentil, não fazia mais que sua função. As flores, as rosas, alegres, permitiam ser aspiradas e contempladas por alguns segundos. A natureza estava trabalhando para um mundo melhor, como sempre fez. Mas os humanos não. Nem todos trabalham para um mundo melhor, e nunca sempre fizeram. Inventaram o dinheiro, inventaram o capitalismo, inventaram o imperialismo, armas de destruição em massa, detonadores, explosivos, metralhadoras, inventaram o ódio, a xenofobia, o racismo, a eutanásia, o preconceito. Erra aquele que diz que os ser humano é um animal. Pois não se pode permitir tanta humilhação aos animais de fato.

Pergunte à borboleta o que é a vida. O que é viver. O que ela responderá vai fazer você cair de joelhos e suplicar por perdão. É uma pena que nem todos têm a capacidade de ouvir a natureza. As gotas de chuva caindo no chão em uma noite fria, o vento forte batendo nas árvores em uma tarde cinzenta, o som de uma planta crescendo, uma flor desabrochando. Ninguém as ouve, ninguém as quer, ninguém as dá valor. Exatamente porque somos seres humanos. Damos valor ao ter, não ao ser. Damos valor a embalagem e não ao conteúdo. Que pena. Escrevo aqui porque preciso. As letras também precisam de vida.

Thiago Jorge

aqui mesmo

Faço poesia aqui mesmo
no meio do nada
assim calado
meio triste

Caio em mim todos os dias
temendo dias taciturnos
assim sentido
em silêncio

Gosto quando exibem um sorriso
inconscientemente inocente
assim querendo
ser feliz

Temo minha voz interior
temo que ela minta
assim falando
em desistir

Odeio quando o vento bate
me dá tapas sem querer
e olhando para o céu
peço desculpas

O medo me incita
me deixa cair
escorregar
calado

Há uma estrela nascendo nesse momento
há um buraco no céu
há um brilho
acabando

Luto para quebrar as paredes
ver tudo cair ao chão
blocos de concreto
areia e escuridão

E aqui nessa noite fria
calada pelo vento
faço poesia
calado

Thiago Jorge

Hello world!

Publicado agosto 5, 2006 por thiagojorge
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